Seção | Caminhos da composição

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Conceitos de composição de trilhas sonoras, com Fernando Moura

Publicado em 15 junho 2011 por André Iunes Pinto

Como o nome da coluna é Caminhos da Composição, nada melhor do que conversar com quem é especialista em “trilhar” (no sentido mais literal da palavra) meios para a criação de música para imagem. Parece simples à primeira vista, mas trabalhar com trilhas sonoras requer um conhecimento além da música em si, incluindo elementos pertinentes ao roteiro, personalidade dos personagens, entre outras variáveis. Em um papo descontraído, o pianista Fernando Moura (leia entrevista com o músico), premiado na arte de criar trilhas sonoras, conversou comigo sobre composição de música para cinema, televisão e outros tipos de mídias. Na entrevista no vídeo acima, o músico aborda desde as peculiaridades desse tipo de composição ao mercado de trabalho para esse segmento.

Caso se interesse pelo assunto, uma dica interessante é acompanhar a coluna do Fernando Moura aqui no site Overdubbing, ou acessar a página do artista no endereço www.myspace.com/fernandomoura.

Fernando Moura no estúdio Bariri

Fernando Moura no estúdio Bariri

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Não caia nas ciladas do perfeccionismo

Publicado em 24 novembro 2010 por André Iunes Pinto

Quando a tecnologia comunga com a sensibilidade criativa

Criatividade e sensibilidade na hora de compor

É com grande satisfação que inauguro esta coluna sobre composição musical no Overdubbing. Antes de tudo, é importante lembrar que o título deste espaço refere-se a “caminhos”, no plural, por justamente deixar claro o fato de que as linhas a seguir não têm (e nem terão) a pretensão de definir uma única via a seguir, e sim, talvez, a junção de várias. Cada um, dentro de heranças culturais distintas, tem a sua maneira de criar, e na música não é diferente, certo?

E qual o motivo dessa coluna? Um: porque desde que coloquei pela primeira vez meus dedos em uma guitarra, nos primórdios de 1992, senti forte necessidade de me expressar. Para mim, instrumento sem criação não fazia sentido. Dois: penso que a democratização da tecnologia musical deve vir ao encontro da criatividade. Tarefa simples? Nem tanto, vide a enxurrada de coisas sem sentido que têm pintado por aí (isso não é problema meu, e nem seu, diga-se de passagem).

E o que “necessidade de se expressar” tem a ver com “conhecer de tecnologia musical”? Nos dias de hoje, tudo. Parece que um não vive sem o outro, apesar de que um não depende do outro, senão Beethoven não seria quem foi. Parece paradoxal para a realidade atual, mas faz sentido, já que a música mudou muito sua “textura” desde o século XVIII, época em que nosso querido compositor em questão bombava nas pistas de dança. Criatividade não depende de tecnologia. Isso é um fato. Mas conhecer de tecnologia auxilia, e muito, nos processos criativos, lembre-se sempre disso.

Da minha experiência como músico e jornalista, rodando feiras e mais feiras de música, dentro e fora do país, pude perceber claramente que os jovens estão buscando cada vez mais por informações sobre como gravar música (ou seja, registrar processos criativos). Que microfone utilizar? Qual a melhor interface de áudio? Como efetuar tal tipo de edição ultra sofisticada? São novos conceitos e equipamentos lançados a todo instante (é só dar uma pequena rodada pelas páginas do Overdubbing e saberá o que digo), mas, a meu ver, um excesso de informação com pouco estímulo à sensibilidade.

E o que é sensibilidade? Algum tipo de inteligência emocional? Algo que possa ser desenvolvido, ou é de cada um, e se você nasceu sensível aos estímulos do mundo (diferente de emotivo) sorte a sua? O buraco é bem mais embaixo. Sensibilidade (seja em qualquer ramo da vida, incluindo, no contexto deste artigo, o artístico) está no modo de ver o mundo. Em como sua “lente” está isenta a determinados níveis de repressão (muitas vezes, criados por nós mesmos), dificultando a percepção de certas nuances da vida comum.

Um exemplo clássico: crianças criam muito, pois pouco se censuram. Não estão nem aí se o que fazem, ou não, soa ridículo. Para quem já sofreu de bloqueio composicional, incluindo a mim, talvez tenha percebido que, em muitos casos, o excesso de perfeccionismo pode ser algo repressor, castrando sementes criativas. Evitam-se, assim, bons frutos musicais. Existem músicas que acho simplesmente sensacionais, mas que, as analisando, eu nunca conseguiria iniciar a composição de algo do gênero, por achar, talvez, ridícula sua estrutura composicional.

Sendo assim, somando mais um elemento à nossa fórmula mágica, me arrisco a dizer que criatividade não faz sentido sem sensibilidade (e nem cito aqui a questão da intimidade com o instrumento, fator básico para qualquer músico se expressar). Finalizando nossa fórmula, nos dias de hoje, a tecnologia “conjuga” esses dois elementos, tornando a dupla “criar/sensível” realidade: ou seja, música de verdade concebida em plataformas virtuais (leia-se: mundo digital). Simples? Volto a dizer: nem tanto!

Outro paradoxo: perfeição requer sensibilidade para chegar ao seu estágio máximo. Por outro lado, perfeccionismo demais, como já citado aqui, castra a sensibilidade, essencial aos primeiros passos de um processo criativo. Ou seja, exija menos perfeição ao iniciar uma composição, vai que sai uma obra prima de três acordes. Tom Jobim dizia uma frase: “fazer música para músicos é fácil, é só estudar música. O difícil é tirar beleza da simplicidade”. Retorne à simplicidade e resgate a “criança” criativa dentro de você.

André Iunes Pinto é jornalista, músico e editor do site Overdubbing.

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