Seção | Produção musical

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Como começar o seu trabalho em casa e terminá-lo no estúdio?

Publicado em 27 junho 2011 por Sergio Filho


Olá, amigos leitores! A coluna traz hoje um tema bem importante para aqueles que começaram a produzir seus trabalhos musicais em casa e desejam finalizá-los em um estúdio profissional: como preparar as sessões gravadas para esse tipo de situação?

Hoje em dia é bastante comum chegarem até mim clientes que desejam fazer parte do trabalho em homestudio e parte em um estúdio comercial. Por exemplo, para uma banda de rock tradicional, é bem razoável que se grave a bateria no estúdio, a guitarra e o baixo em um home studio (usando plug-ins simuladores de amplificador) e, depois, voltar com o trabalho para o estúdio com o objetivo de gravar as vozes.

Mas como administrar as diferenças entre a sua casa, a sua DAW (Digital Audio Workstation – software de gravação) e a do estúdio? Digamos que você grave em casa usando o Cubase, mas o estúdio em que você vai gravar usa Pro Tools. É claro que o formato da sessão de uma DAW não é compatível com outra, certo? Além do mais, digamos que você tenha gravado as guitarras e os baixos usando Amplitube 3, mas o estúdio não tem esse plugin disponível. Como os sons serão carregados? Pois bem, vamos por partes.

UTILIZAÇÃO DE PLUG-INS

A primeira coisa a se fazer quando se usa plugins simuladores de amplificação, ou instrumentos virtuais (teclados, pianos, cordas, percussões, etc, geralmente em MIDI) é gravar o som processado em uma trilha de áudio individual. A maioria das DAW’s disponibilizam sistemas de roteamento interno, geralmente chamados de bus, ou canais auxiliares, que te permitem fazer esse processo. Outras possuem a opção freeze. Procure conhecer a sua DAW e ver o que ela lhe permite fazer, nesse sentido. O importante é que você possa ter na sua sessão um canal de áudio com o processamento do plug-in simulador, ou do instrumento virtual. Assim, não há a necessidade de o estúdio possuir os mesmos recursos que você (e isso inclui problemas com as versões de um mesmo plug-in) para que os seus sons apareçam na sessão.

TODOS OS ÁUDIOS COMEÇANDO DO MESMO PONTO

A segunda coisa é se certificar de que todos os áudios da sua sessão começam e terminam no mesmo ponto. Isso em algumas DAWs é chamado de consolidate. Quando se consolida os canais, você garante que terá arquivos de áudio inteiros começando e terminando no mesmo ponto, evitando assim, na hora da importação desses arquivos na DAW do estúdio, que as coisas toquem desencontradas (ou seja, fora do seu lugar correto na timeline). Imagine o caos que seria importar 15 arquivos picotados de um mesmo canal de guitarra. Viu o tamanho do problema, né?

FORMATOS DOS ARQUIVOS

Outros fatores muito importantes a serem verificados também são o formato dos arquivos, a taxa de amostragem e a taxa de bits. Se certifique de que a DAW do estúdio aceita os três parâmetros de acordo com os que você escolheu pra trabalhar. Por exemplo, se você gravou em .wav de 24 bits, a 44,1kHz, vai ter uma boa chance desse formato ser compatível com qualquer DAW. De qualquer jeito, é sempre bom confirmar. Formatos de arquivo de áudio como o SD II são perigosos, pois, no caso desse exemplo, ele só é compatível com o Mac.

EVITAR BOUNCES

Por fim, evite levar bounces (arquivos estéreo já exportados com todas as trilhas “mixadas”) para o estúdio de gravação. Por exemplo, no caso de uma gravação de voz, geralmente se faz uma pré-mixagem para deixar a música confortável para o cantor (prevenindo que algum instrumento entre absurdamente alto e o impeça de ouvir corretamente). Se você levar um bounce fechado, não será possível alterar essa pré-mixagem caso seja necessário. Pode ser que em algum trecho, ou em alguma música, o vocalista tenha necessidade de ouvir mais o baixo do que a guitarra. E aí, como fica?

Espero que essas dicas deem uma força para aqueles que ralam duro para fazer o seu CD. Qualquer dúvida, conselho, xingamento, carta-bomba, podem mandar um e-mail para sergiorangelfilho@gmail.com. Grande abraço!

 

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O “pulo do gato” para a sua banda

Publicado em 05 abril 2011 por Sergio Filho

O pulo do gato para a sua bandaÀs vezes, me perguntam sobre a coerência de uma banda de rock (ou qualquer outro estilo) ao vivo. Coisas do tipo “como conseguir deixar o som ‘redondo’?”. Por isso, trago nesse artigo uma abordagem a que me dei o direito de chamá-la “o pulo do gato“.

Quem já está nessa vida de banda há algum tempo sabe o quanto é difícil encontrar os integrantes certos. Aqueles caras (ou, mais comum hoje em dia, meninas) que fazem a diferença no som. Além disso, têm que ser bons de convivência e pensar na mesma direção. Ora, tanta gente passa a vida inteira dando com a cara na parede por causa de seus relacionamentos a dois (não só amorosos, como também entre pais e filhos, patrão e empregado, etc.), o que dirá em um relacionamento a quatro/cinco!? Muitas bandas famosas, inclusive, já sofreram desse mal (quem nunca viu, assista Some Kind of Monster, do Metallica).

Indiscutivelmente, leva-se tempo para se conhecer bem o indivíduo que está pegando a estrada com você, mas isso não é motivo para neuroses do tipo “não confio em ninguém”. É apenas uma questão de tranquilidade e transparência nas suas relações.

Mas, voltando ao âmbito pragmático, onde quero chegar é nos ensaios. Tocar as mesmas músicas por longos períodos (às vezes muito longos mesmo) pode ser chato. Você não vê mais para onde aquilo pode evoluir. Mas é aí que mora o “pulo do gato“. Existem basicamente três estágios no aprendizado musical em banda (isso eu digo por experiência, e não por nenhum estudo científico sobre cognição cerebral). O primeiro é aquele em que você precisa tocar prestando muita atenção naquilo que está fazendo. Esse é o ponto em que se faz o arranjo da música, se for própria, ou se “tira” o cover. Aqui, você ainda não está familiarizado com a parte técnica da execução da música. Se você é guitarrista, erra um acorde, esquece uma parte da música, “capa” um solo. Se você é baterista, esquece um bumbo aqui, outro ali, sai do tempo um pouquinho. Se você é baixista, provavelmente vai se enrolar naquele “groove” mais safado. Se você canta, fatalmente vai esquecer a letra.

Depois de muito ensaiar, todo mundo começa a tocar direito a música. Este é o segundo estágio. Aqui, todo mundo acha que já está bom. Nunca parece melhorar muito mais. Você já até se balança tocando. E aqui, muita gente para de buscar a evolução. Acontece que não basta dominar tecnicamente aquilo que se toca. É preciso fazer parte daquilo, incorporar a música. Mesmo se você é um sideman, e nem curte tanto aquilo que está tocando, é preciso estar 100% presente e íntegro. Afinal, se você é músico, deve ter escolhido essa profissão porque ama, certo? Se quisesse ganhar dinheiro, é fato que não estaria buscando isso nesta área…

O terceiro estágio é aquele em que a música passa por dentro de você. Você a respira e transpira. Você não vai mais errar nenhum acorde porque simplesmente nem vai pensar qual acorde está tocando. Ele simplesmente aparece montado no braço da guitarra na hora certa. É aí que você alcançou o “pulo do gato“. Uma boa maneira de comprovar isso é quando você se pega há muito tempo sem tocar aquela música e, no entanto, na hora do ensaio, sai tudo perfeitinho. Não é lindo?

A dica é: mantenha-se presente naquilo que você faz (isso se estende pra tudo na sua vida, ok?). Aproveite aquele exato segundo em que você toca aquela nota. Faça mesmo como se não houvesse nada depois nem tivesse havido nada antes, porque de fato não há. O passado já passou, o futuro nem chegou. Nem um segundo antes, nem um segundo depois. Somente no agora! Ao alcançar esse estágio, você vai perceber como misteriosamente a sua banda soa verdadeira, “redonda” e com toda a energia necessária para tocar qualquer um que esteja na plateia!

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Que computador usar? PC ou Mac?

Publicado em 13 março 2011 por Sergio Filho

Olá, queridos leitores! Faz um bom tempo que não nos vemos, não é mesmo? Isso tem um motivo: estamos preparando algo novo aqui no Overdubbing, para tornar a coluna de produção musical mais interessante. Eu e o editor do site, André Iunes Pinto, gastamos bastante tempo, mufa e alguns chopps matutando esse novo recurso que vai poder trazer pra vocês técnicas interessantes para melhorar os seus trabalhos em estúdio (ou em casa).

Mas, enquanto a novidade não fica pronta, eu trouxe mais um assunto polêmico, porém muito rico, que várias vezes buzina a nossa orelha ao trabalhar com áudio: Mac ou PC?

Com a popularização e as estratégias da Apple no Brasil, os preços dos Macs estão caindo cada vez mais. Entretanto, os PCs continuam custando, às vezes, um terço do preço de um Mac. Se você visitar os fóruns da internet, gringos ou nacionais, vai encontrar os usuários da maçã louvando seus sistemas enquanto os usuários de PC dizendo que conseguem fazer o mesmo com muito menos dinheiro. E aí, o que fazer?

Isso leva o assunto para uma perspectiva ainda maior. Em se tratando de sistemas PC, rodando Windows (o Linux ainda não tem muita variedade de soluções para áudio), há basicamente duas formas de se comprar um computador: montando peça-a-peça, ou comprando uma solução fechada de empresas como Dell, HP, ou Sony.

O primeiro caso talvez seja o mais popular, visto que você pode economizar bastante dinheiro escolhendo meticulosamente cada componente do seu PC. Entretanto, esse método obriga o usuário a conhecer especificamente as necessidades de hardware que o seu DAW possui (pra quem perdeu o último texto, DAW significa Digital Audio Workstation. São os programas como Pro Tools, Sonar, Cubase e Logic). Digo isso, pois, frequentemente, encontro em fóruns pessoas dizendo que montaram um computador novinho em folha, entretanto o programa X que usavam não está rodando bem (ou sequer rodando).

Cada programa possui as suas recomendações e incompatibilidades com certos hardwares. Por isso, é indispensável que você procure informações a respeito com os fabricantes do software que você usar. No caso do Pro Tools, a Avid disponibiliza uma lista de incompatibilidades e também uma avaliação dos principais sistemas de computadores, PC e Mac. Se você pretende usar esse programa, vale a pena dar uma olhada cuidadosa nisso. No PC, o Pro Tools é campeão de incompatibilidades.

Outro problema que recorrer nos sistemas montados peça-a-peça é a procedência delas. É muito comum encontrarmos no mercado peças recondicionadas (que vieram com defeito de fabricação, foram devolvidas, consertadas e depois revendidas) e até mesmo falsificadas. É preciso ter cuidado também com a loja onde se compra essas peças. Verifique se a loja já possui credibilidade com seus conhecidos, se ela já está estabelecida há algum tempo no mesmo lugar, etc. Já soube de casos em que a loja fechou e não havia mais ninguém para dar garantia. Não deixe de exigir a nota fiscal de compra!!!

O segundo modo de se comprar um PC é recorrendo às soluções completas das empresas que citei logo acima. Dessa maneira, você reduz o nível de incompatibilidades (mas não o exime da responsabilidade de verificar se o que você está comprando é, ou não, compatível com o seu software) e ainda facilita a sua vida, visto que a garantia de qualquer peça do computador será dada em um mesmo lugar. Imagine que, no outro método, você comprou a memória RAM em um lugar, a placa-mãe em outro, o processador em outro, os HD’s em outro, o drive de DVD em outro, a placa de vídeo em outro…. Viu o tamanho da dor-de-cabeça?

A Apple se insere nessa categoria de modelo completo oferecido por uma empresa. Entretanto, sua arquitetura é totalmente fechada, usando somente um tipo de peça que é perfeitamente casada com a configuração da sua máquina. Isso está embutido no preço até 3 vezes mais caro que um PC. Antes de pensarmos se realmente vale a pena, vamos analisar mais alguns aspectos.

SISTEMA OPERACIONAL

O recém-lançado Windows 7 tem sido muito elogiado com relação à sua estabilidade, gerenciamento de memória e velocidade. Diferentemente dos seus antecessores Vista e XP, esse sistema operacional está aceitando muito bem os sistemas de áudio. No quesito software, me parece que ele está se equiparando ao Mac OSX. Por isso, se você optar por um PC, eu recomendaria o Windows 7 (até porque os fabricantes estão nos impondo ele, diga-se de passagem).

E ENTÃO, PC OU MAC?

Pela minha experiência pessoal, os Macs são amplamente encontrados nos estúdios da vida. Geralmente atrelado ao Pro Tools, o Mac tem a fama de conseguir compatibilidade completa com os sistemas baseados nesse DAW. Eu já trabalhei com Pro Tools em diversos PC’s e nunca obtive o mesmo desempenho que eu obtive usando-o em um Mac. Entretanto, nunca deixei de trabalhar com Pro Tools no PC por causa disso. Recomendo que você objetive bem a sua necessidade. Se você está fazendo dinheiro com seus trabalhos, é importante investir em um sistema mais estável. E para isso, recomendaria uma solução completa de uma das marcas que citei, incluindo a Apple. Se está apenas começando nesse mundo, pode optar por uma máquina mais modesta, mas é bom sempre dimensionar a sua compra, para daqui a um ano você não se arrepender de não poder expandir a sua máquina.

OUTROS “DETALHES” IMPORTANTES

Se possível, utilize sempre dois HDs: um para o sistema operacional e a instalação de seus programas e outro para a gravação em áudio. Isso poupa o trabalho do sistema operacional em gerenciar o acesso em disco dos seus programas e, ainda por cima, gravar e reproduzir áudio. Lembrem que o HD possui uma agulha que precisa se deslocar o tempo todo. E, convenhamos, hoje em dia um HD custa bem pouco.

Evite, também, usar o seu sistema para jogar, acessar internet, armazenar fotos e coisas pessoais e ainda por cima fazer seus trabalhos em áudio. Se possível, tenha uma máquina dedicada a essa tarefa. Se não for possível, considere partionar o seu HD do sistema e instalar uma outra versão do sistema operacional apenas para áudio, sem acesso à internet e nenhuma buginganga.

É isso aí, espero que eu tenha ajudado vocês a clarear os pensamentos na hora de fazer uma compra desse porte. Para quem tiver ainda alguma dúvida, pode entrar em contato comigo através do e-mail sergiorangelfilho@gmail.com.

Um abraço e até a próxima!

Sergio Filho é guitarrista do Tchopu e produtor musical.

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Manual de sobrevivência na selva dos estúdios

Publicado em 09 dezembro 2010 por Sergio Filho

Olá, amigos leitores. É com grande orgulho que volto a escrever neste espaço. Estava ansioso por esse momento.

Depois de esmiuçar um pouco o papel de cada um nas etapas da produção de um disco (pegou o bonde andando? vem aqui e aqui), agora vou falar um pouco sobre alguns termos que circulam dentro dos estúdios. Primeiramente, abordarei um mito para quem se interessa pelo assunto e vai gravar, mas, que de repente, não quer ser um produtor. Afinal, Pro Tools é melhor?

Vou começar pelo assunto mais polêmico, claro! Todo mundo comenta do Pro Tools, uns bem, outros mal. Mas muita gente, de fato, sabe pouco sobre esse tão importante software de produção musical.

Pra começar, o Pro Tools é um programa (que a gente costuma chamar de DAW – Digital Audio Workstation, ou estação de trabalho de áudio digital, em tradução livre). Assim como ele, existem muitos outros (uns tão antigos quanto ele) como o Sonar, o Cubase, o Logic e o Nuendo. Usar o programa Pro Tools por si só não faz o seu disco soar como as grandes produções norte-americanas e europeias. É claro que cada software tem o seu próprio algoritmo responsável por transformar aquelas várias trilhas de áudio em um arquivo estéreo. Por esse motivo, existe a possibilidade do resultado ser distinto em cada um deles.

Mas o que geralmente se confunde em relação ao Pro Tools é a existência do Pro Tools HD. A tecnologia HD (high density, alta densidade) consiste no processamento do áudio com uma taxa de amostragem de 192kHz à 24 bits. Essa qualidade só é possível, no universo do Pro Tools, usando o hardware desenvolvido pela extinta Digidesign (hoje Avid). Esse hardware sempre custou muito caro e, por isso, não está presente na maioria dos estúdio que atendem aos músicos independentes. Talvez, por esse motivo, tenha se misturado o programa Pro Tools com o hardware que trabalha na sua versão HD.

A rigor, a escolha do software a ser utilizado na sua gravação é mais importante para quem vai de fato gravar e trabalhar operando o computador e suas interfaces do que para os músicos. É claro que é inegável a popularidade dos sistemas Pro Tools, o que confere uma compatibilidade maior entre os estúdios (para o caso de você querer continuar seu trabalho em um outro estúdio). Porém, isso não o impede de fazer um excelente trabalho em outro programa. Não vá deixar de gravar seu disco naquele estúdio que lhe oferece a melhor condição, e o melhor ambiente, por uma simples questão de escolha de programa.

Hoje em dia, trabalhar com altas taxas de amostragem não é exclusividade dos sistemas Pro Tools. Há muitas empresas fortes no mercado, com sistemas bastante competitivos. Entretanto, essa ainda não é a realidade da maioria dos nossos estúdios. É claro que a qualidade com que o áudio analógico (real) vai ser convertido em áudio digital influencia na qualidade do trabalho, mas essa qualidade nunca excluirá todos os outros sistemas que já conhecemos, e dos quais já ouvimos excelente trabalhos, muitos deles comerciais. Lembrando um pouco dos outros dois textos que escrevi aqui, nada vai substituir uma boa canção, com um arranjo forte e uma produção bem feita. Equipamento não vai limitar o sucesso do seu trabalho!

Sergio Filho é guitarrista do Tchopu e produtor musical.

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Minha banda está com as músicas prontas e nós queremos gravar. O que fazemos? Parte 2

Publicado em 14 setembro 2010 por Sergio Filho

Na primeira parte desta série falei um pouco sobre o papel de cada um dos profissionais envolvidos na produção de um disco/trabalho fonográfico. Nesta segunda parte vou falar um pouco mais sobre o produtor musical e das etapas da produção de um disco, no que diz respeito ao estúdio. Já vimos que o produtor musical precisa escutar o trabalho de fora para poder entender o objetivo e a sonoridade a serem alcançadas durante as etapas de gravação, mixagem e masterização. Mas antes de ir para o estúdio de gravação existe a etapa chamada de pré-produção.

Ela é, em termos simples, a etapa seguinte àquela de onde começamos, onde a banda já tem as músicas, os arranjos,ENSAIOU BASTANTE, decidiu gravar, conheceu o produtor e precisa mostrar pra ele as músicas! Bom, nessa hora, o produtor vai ter contato pela primeira vez com as músicas. Pode ser num ensaio propriamente dito ou através de uma demo. Após as primeiras conversas e assim que ele conseguir formar uma opinião sobre o trabalho, ele pode sugerir algumas mudanças (na estrutura de uma música, na sua dinâmica ou na sua execução) e daí vocês podem fazer uma gravação com tudo definido ANTES de entrar em estúdio para gravar o material de verdade. Repare que eu coloquei em maiúsculas algumas coisas.

Ensaiar muito facilita as coisas de uma forma impensável. Dominar os arranjos e estar com tudo na ponta da língua salva tempo ($$$) em estúdio. Existe uma relação muito interessante e tênue entre ser rápido no estúdio e não fazer as coisas com pressa. Como dizem os índios norte-americanos: “Leve o tempo que precisar, mas apresse-se!” A segunda marcação em maiúsculas diz respeito a ter uma ideia básica, uma concepção da música antes de entrar em estúdio. Isto, novamente, salva tempo e paciência de todos os envolvidos no trabalho. Já imaginou, em um disco de hard rock, em todas as 12 músicas o guitarrista ter que inventar o solo no estúdio pois ele não havia definido antes? Em outras palavras: haja saco! Mas veja bem, isso não te impede de fazer um experimentalismo, tentar uma nova frase ou coisa e tal. Isso é, inclusive, louvável. Mas tente ser objetivo no máximo possível de coisas.

E essa pré-produção precisa ser no mesmo estúdio da gravação à vera (ou seja: custar caro)?

Obviamente, nos dias de hoje, a pré-produção é até um certo luxo (embora eu a considere extremamente importante). Trabalhar da melhor forma dentro de um orçamento é uma virtude para poucos, mas a ideia aqui é justamente te ajudar a decidir onde vale mais a pena investir mais. Se você tem muito pouco pra gastar, mas tem certeza de que os arranjos estão prontos e confia no seu produtor, considere pular esta etapa. Do contrário, tente fazê-la em casa ou em um estúdio mais simples. Muitas vezes, uma gravação de ensaio já é suficiente (e nem vai encarecer tanto seu disco, certo?). O mais importante dessa história toda é tentar deixar o material o mais pronto possível. Antes de buscar o produtor certo (ou de um membro da banda assumir esta posição, na falta de grana pra bancar isso), concentrem-se nos ensaios e nos arranjos. Procurem fechar um conceito e respeitar o papel de cada elemento dentro de cada canção. Quando o produtor entrar na história, ele vai tentar trazer mais “cola” pra coisa. Unir mais os elementos e fazer aquilo trabalhar de verdade, em prol da canção. Como já disse, grandes produtores deram grandes ajudas na criação de verdadeiros hits que todos conhecemos!

Na próxima etapa, quando a banda seguir pro estúdio, o produtor deve seguir esse conceito criado na pré-produção auxiliando o técnico de gravação a obter o melhor som dos instrumentos (neste caso, melhor é o que se encaixa na proposta, ok?) e extraindo dos músicos a sua melhor performance. Esse trio músicos-produtor-técnico de gravação vai ser essencial pra criar a base, o grosso do disco. Tente fazer o melhor possível ainda na gravação. Evite ao máximo deixar pra consertar na mixagem. Isto pode custar caro e muitas vezes nem ter saída. Os ingleses são firmes em dizer que o som do disco vem todo da gravação. Excesso de truques nas etapas seguintes pode deixar um trabalho muito pouco orgânico e não vai ter volta!

Na etapa da mixagem, o produtor deve ficar atento em manter a coesão do trabalho dentro da proposta escolhida. É bom que ele conheça bem o estilo (ou então procure fazê-lo), escutando outros discos que são referência de sonoridade e, se possível, ficar por dentro das técnicas de mixagem usadas nesse estilo. Por exemplo, para uma banda de rock pesado, quase sempre se usa fazer dobras nas guitarras para abri-las no panorama. Não que você não possa fazer fazer diferente, mas isso não exclui a sua tarefa (e principalmente do produtor) de conhecer essa característica. Esse trabalho seguirá adiante na masterização, onde o produtor vai precisar acompanhar a mudança de músicas no CD, se elas soam coesas, com volume compatível e é onde se dará os últimos retoques. Afinal, depois da masterização o CD (ou outra mídia qualquer) vai ser duplicado e distribuído. É importante atentar para o excesso de volume em detrimento da qualidade do áudio final (a chamada Loudness War, de que vou falar mais à frente).

Portanto, nunca deixe de ter uma boa relação com o seu produtor. Se você for um, seja na sua banda, ou trabalhando com outras, procure entender o ponto de vista do autor das músicas (ou da banda) e evite tentar impor a sua opinião. Mesmo que você tenha certeza do que está fazendo, o disco ainda é dos outros e por isso precisa haver um consenso. Ninguém está livre de desavenças (nem os Beatles foram assim!), mas também o disco precisa sair e pra isso bom relacionamento nunca é demais!

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Minha banda está com as músicas prontas e nós queremos gravar. O que fazemos? Parte 1

Publicado em 30 agosto 2010 por Sergio Filho

É com muita satisfação que começo essa seção aqui no Overdubbing para tratar dos temas relativos ao áudio e à produção musical no estúdio. Como todo mundo sabe, hoje em dia o processo de democratização da música já está bem adiantado e nessa onda se inclui uma tremenda facilidade para se fazer gravações caseiras ou em estúdios (já que o custo desses diminuiu assustadoramente). Entretanto, ainda falta um bocado de informações que ou não chegam com facilidade aos artistas ou são envolvidas e empoeiradas por uma nuvem de mitos que circunda o universo do áudio. E é pra isso que eu estou aqui!!! Não vou bancar uma de Myth Buster mas vou tratar desses assuntos que geram muita dúvida na cabeça dos artistas de acordo com a minha experiência e com a ajuda da vivência de outros colegas de profissão.

E pra começar, vamos ao que interessa: sua banda ensaiou durante um bom tempo e vocês acham que estão prontos para gravar. Mas aí vem aquelas dúvidas: que estúdio eu escolho? quanto custa? o que faz um produtor musical?

Hoje em dia, com diversas opções de divulgação gratuita da sua música como o MySpace, o Pure Volume, o Trama Virtual, o Oi Novo Som e até o Facebook, fica difícil entrar na parada sem uma gravação. Mas hoje em dia não há limites ou regras pra se chegar nesse reultado. Você pode lançar uma música (como antigamente se fazia com o single) ou pode lançar um EP contendo 4/5 músicas (e que antigamente significava Extended Play, um extensão de um álbum lançado anteriormente só que com menos músicas – alguns chamariam-nas de “sobras” de estúdio) ou ainda pode decidir fazer um álbum com 10/12 músicas. A primeira questão é: onde gravar? no estúdio ou em casa?

Isso vai depender de alguns fatores como o orçamento disponível pois, para se gravar em casa é necessário fazer a compra de alguns equipamentos. Além disso, vai ser preciso alguém com competências para gravar, mixar, masterizar e ainda por cima produzir o material. Calma! Não precisa se assustar. Qualquer um é capaz de fazer isso, desde que faça essa escolha conscientemente e busque as informações corretas  (e aqui eu vou disponibilizar várias delas).

Mas antes, vamos entender o papel de cada um nesse processo:

* O produtor musical é o cara responsável por escutar de fora o trabalho, entender o objetivo e a sonoridade do artista e conseguir extrair dele o que ele tem de melhor. Além disso o produtor musical precisa estabelecer o link entre os técnicos que vão trabalhar no projeto e o artista. Não é regra, mas é bastante desejável que o produtor também entenda de gravação, mixagem e masterização, além é claro de ter um ótimo ouvido e um bom relacionamento com todos. Não é uma tarefa fácil, mas muitos produtores foram responsáveis por esculpirem grandes sucessos de vendas.

* O técnico de gravação é o especialista em captar o melhor som dos músicos. Precisa conhecer bem as técnicas de microfonação, além de saber operar as novas opções como os plugins simuladores de amplificação, instrumentos virtuais e etc.

* O técnico de mixagem tem um papel importantíssimo durante o processo: ele é responsável por criar a atmosfera da música e fazer com que a mensagem dela seja passada da melhor forma. Fazer o baixo e o bumbo trabalhar em conjunto, a caixa levar a música pra frente e as guitarras capricharem a parede que vai receber a voz do cantor(a) são algumas das habilidades do mixador.

* O técnico de masterização dá aquela guaribada final. Ele é responsável por polir a mixagem e trazer o brilho e volume que uma gravação profissional deve ter.

Hoje em dia, em muitos casos, o mesmo profissional desempenha vários desses papéis. Não é raro que o próprio artista se produza, grave e faça a mixagem do seu trabalho. Também é bastante comum o produtor de um disco fazer a gravação e a mixagem. E, menos comum (mas não raro), o mesmo profissional gravar, mixar e masterizar.

É claro que numa situação ideal ($$$) é desejável ter um produtor, um técnico de gravação, outro de mixagem e no final masterizar o disco em um estúdio próprio para isso (as técnicas são outras e os equipamentos também). Mas isso não vai impedir que você faça o seu trabalho, desde que faça bem as escolhas e use de forma correta o seu dinheiro disponível. É essencial que o produtor do disco seja uma pessoa em quem o artista confie e seja também um cara fácil de se relacionar. Já imaginou que coisa chata e criativamente bloqueante um produtor com quem você discute e briga o tempo inteiro dentro do estúdio? Não é saudável pros dois, não é saudável pro disco nem saudável pro bolso. Por isso, busque o histórico do seu produtor. Conheça outros trabalhos que ele realizou e, principalmente, sente e tenha uma boa conversa e veja se vocês se entendem. Falar a mesma língua é fundamental!!!

No próximo post vou esmiuçar o papel da produção musical na pré-produção e nos finalmentes do disco. Até lá!!!

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